A ressonância magnética (RM) é um
fenômeno físico quântico que
ocorre em nível nuclear quando há uma
troca de energia entre ondas eletromagnéticas
(RF) e entre corpos em movimento que possuem
uma freqüência de precessão
idêntica.
Sua descoberta ocorreu de modo independente por
Felix Bloch (Stanford)e Edward Purcell (Harvard)
na época pós-guerra em 1945, e
rendeu o prêmio Nobel de Física
de 1952 aos dois cientistas. Entretanto houve
também outros cientistas que ajudaram
no desenvolvimento dos sistemas de RM modernos,
como por exemplo Nicolaas Bloembergen e Richard
Ernst, que ganharam o prêmio Nobel de Física
respectivamente em 1981 e 1991. A RM, porém,
somente começou a ser aplicada em procedimentos
diagnósticos a partir da década
de 1970.
Basicamente o fenômeno de RM ocorre devido
ao fato de que um corpo contém átomos,
por exemplo o hidrogênio, que quando submetidos
a um campo magnético são alinhados
na mesma direção deste campo, funcionando
como um leve imã. Após este alinhamento é aplicado
um pulso de radiofreqüência (RF),
semelhante à de rádio FM, que desvia
esse imã para um plano diferente do campo
principal. Algum tempo após a aplicação
do pulso de RF, o imã começa a
voltar para o estado anterior, alinhado ao campo
magnético principal. O sinal de RM é obtido
durante os tempos de alinhamento, desalinhamento
e realinhamento do corpo com o campo magnético.
As imagens de RM podem ser obtidas através
de diferentes seqüências de pulso
que são baseadas nas diferentes características
dos diversos tecidos presentes no corpo humano.
Por exemplo o liquido apresenta hiposinal (escuro)
em ponderação T1 e hipersinal (claro)
em ponderação T2, enquanto a gordura
apresenta hipersinal em T1 e isosinal em T2.
Essas diferentes ponderações são
obtidas de acordo com os diferentes tempos que
cada tecido possui para se desalinhar e se realinhar
ao campo magnético.
A ressonância magnética se tornou um dos principais métodos
de diagnóstico por imagem devido a sua eficiência em detalhes
anatômicos e funcionais, servindo como um importante auxiliar na detecção
de patologias. Por não utilizar radiação ionizante seu
uso não causa danos aos pacientes, permitindo que pessoas em tratamento
oncológico possam ser submetidas a exames com maior freqüência
em relação aos exames com radiação ionizante, como
por exemplo, tomografia e raios-x. Até mesmo mulheres gestantes a partir
do 4º mês de gestação podem ser submetidas ao método,
sob observação médica.
Nessa apostila serão abordadas as bases físicas aplicadas a RM,
desde a apresentação do átomo até a formação
da imagem. Após isso serão apresentados os equipamentos e toda
a segurança relativa ao uso da RM. A seguir a anatomia e os processos
patológicos mais vistos no cotidiano de RM serão expostos e discutidos,
assim como os protocolos para realização desses exames. A qualidade
de imagem também estará incluída dentro de cada exame
a ser estudado.