Os
recursos dos métodos de diagnóstico
por imagem foram otimizados desde que passaram
a incorporar tecnologias de informática
e telecomunicações. Detectores
mais eficazes, computadores ultra-rápidos
com grande capacidade de processamento e armazenamento
comprovam o rápido desenvolvimento dessas
tecnologias aplicadas à radiologia.
Os recursos de computação disponíveis
permitem diferenciar tecidos e índices
de absorção, além de fornecer
informações funcionais, indistinguíveis
pelo método tradicional.
Apesar de ainda engatinhar no
Brasil, esse processo está modificando o trabalho
na área de radiologia mundialmente.
Os sistemas informatizados registram, organizam
e administram informações de
pacientes, agendamento de exames, fluxo de
trabalho e emissão dos laudos. O desenvolvimento
de equipamentos e os novos conhecimentos em
radiodiagnóstico, associados à evolução
de sistemas de informática e da Internet,
criaram nova perspectiva e novos paradigmas
para a especialidade.
Alguns sistemas desenvolvem especificamente
a digitalização, o armazenamento
e a distribuição de imagens,
mais conhecidos como PACSs (Picture Archiving
and Comunication System). Utilizados em larga
escala nos centros médicos de países
desenvolvidos há mais de 20 anos, os
PACSs são um sistema de arquivo e comunicação
voltado para o diagnóstico por imagem
que permite acesso imediato, em qualquer setor
de hospital ou clínica, das imagens
médicas em formato digital. Pode ser
dividido em quatro subsistemas: aquisição,
exibição, disponibilização
e armazenamento. O subsistema disponibilização
compreende outro menor, porém, não
menos importante, que trata da distribuição
das imagens. Originalmente criados para utilização
hospitalar interna, o PACS conectou-se ao ambiente
externo por meio dos recursos da Internet.
Formas
de aquisição
Apesar do acentuado incremento nas modalidades
que permitem cortes seccionais e que em geral
já produzem imagens digitalizadas — como
Tomografia Computadorizada (TC), ultra-som
(US) e Ressonância Magnética
(RM) —, o uso de exames convencionais é predominante,
fato que pode representar um obstáculo
para o hospital implantar um PACS, ou mini
PACS, devido ao custo de digitalização
das imagens convencionais. Há duas
formas básicas de digitalização
dessas imagens. Uma é por meio de
scanner da tela/filme convencional. Muitos
aparelhos digitalizadores possibilitam a
transição para um sistema de
imagem digital sem grandes alterações
na rotina dos serviços. Porém,
não reduzem tempo ou trabalho e nem
mesmo a super ou subexposição.
A outra alternativa é a radiografia
computadorizada, técnica em que as
imagens digitais são diretamente produzidas
em placa à base de fósforo
(imaging plate). Posteriormente, podem ser
visibilizadas em monitores ou convertidas
em imagens analógicas por uma processadora
a laser. As técnicas de radiografia
computadorizada são compatíveis
com a maioria dos sistemas de RX fixo e portátil,
eliminando problemas de super e subexposição
das imagens.
Disponibilização
Outra questão importante do PACS refere-se à disponibilização
das imagens e dados. Em um PACS, o banco originário
de dados e imagens deve transferí-las
para a estação de visibilização.
Nas primeiras técnicas de imagem feitas
por computador — TC e RM, por exemplo —,
a distribuição era irrelevante
ou estava atrelada a soluções
específicas, exclusivas do fabricante
do equipamento. A disseminação
de redes de computadores implicou a padronização
de metodologia de transferência, que
foi iniciada por um comitê coordenado
pelo American College of Radiology (ACR) e
pela National Eletrical Manufactures Association
(Nema) em meados dos anos 70. Atualmente, a
versão utilizada é a 3.0 do modelo
ACR-Nema, mais conhecida como Dicom (Digital
Imaging and Communication in Medicine).
Exibição
A principal característica de uma estação
de imagens (workstations) é sua agilidade
na recuperação de imagens, possibilitando
uma navegação intuitiva no banco
de dados e permitindo a comparação
de dados relevantes relacionados ao exame.
Possuem programas básicos de processamento
de imagem como ajuste, brilho, contraste, zoom,
inversão de escala de cinza, rotação,
rolagem e inversão de imagens, possibilidade
de reconstrução em 3D etc.
Banco de Dados
Finalmente, para constituir um PACS é necessário
uma ou várias centrais de armazenamento,
podendo ser realizado de duas formas: curto
(short term) — que inclui a local (ou
magnética) — e longo prazo (long
term).
No arquivo local, as informações
ficam no disco rígido (HD) do computador,
por cerca de uma semana, podendo ser acessadas
em menos de cinco segundos. Esse arquivo é utilizado
tanto pelas estações de visibilização
como pelos servidores do sistema. O armazenamento
por longo prazo está relacionado a discos óticos
não regraváveis, com 10 Gigabytes
(GB) de capacidade (atualmente existem hds
com até 60 GBs); discos ótico-magnéticos
regraváveis, que permitem armazenar
as informações por um período
de tempo; arquivos em fita magnética,
em CD-ROMS e em DVDs.
Embora o PACS seja opção preferencial
em franca expansão, sua implantação é cara
e complexa, exigindo planejamento organizado.
Em geral, as propostas estão vinculadas
a componentes comerciais desenvolvidos por
determinadas empresas, associados às
soluções desenvolvidas pela instituição
local, sendo, muitas vezes, implantado de forma
modular. Nesse caso, é recomendável
iniciar a implantação do sistema
pelo chamado mini-PACS, cuja capacidade pode
ser aumentada de acordo com a disponibilização
de recursos, adequando-se modularmente às
necessidades da instituição.
*André Scatigno Neto, radiologista,
secretário-geral da Sociedade Paulista
de Radiologia e segundo-secretário do
Cremesp.
*Omar Taha, radiologista, membro titular do
Colégio Brasileiro de Radiologia e diretor
do site www.radiology.com.br