PACS: O futuro da Radiologia.

*Por André Scatino e Omar Taha

A radiologia evoluiu lentamente por décadas, mas cresceu de forma impressionante nos últimos anos, tanto para o diagnóstico quanto para procedimentos intervencionistas e terapêuticos. Os equipamentos reduziram substancialmente os riscos de exposição de pacientes e operadores à radiação, sem limitar os resultados. O advento da radiologia digital agregou enormes vantagens às técnicas existentes, que hoje podem ser empregadas repetidamente, sem causar danos aos pacientes.

Os recursos dos métodos de diagnóstico por imagem foram otimizados desde que passaram a incorporar tecnologias de informática e telecomunicações. Detectores mais eficazes, computadores ultra-rápidos com grande capacidade de processamento e armazenamento comprovam o rápido desenvolvimento dessas tecnologias aplicadas à radiologia. Os recursos de computação disponíveis permitem diferenciar tecidos e índices de absorção, além de fornecer informações funcionais, indistinguíveis pelo método tradicional.

Apesar de ainda engatinhar no Brasil, esse processo está modificando o trabalho na área de radiologia mundialmente. Os sistemas informatizados registram, organizam e administram informações de pacientes, agendamento de exames, fluxo de trabalho e emissão dos laudos. O desenvolvimento de equipamentos e os novos conhecimentos em radiodiagnóstico, associados à evolução de sistemas de informática e da Internet, criaram nova perspectiva e novos paradigmas para a especialidade.

Alguns sistemas desenvolvem especificamente a digitalização, o armazenamento e a distribuição de imagens, mais conhecidos como PACSs (Picture Archiving and Comunication System). Utilizados em larga escala nos centros médicos de países desenvolvidos há mais de 20 anos, os PACSs são um sistema de arquivo e comunicação voltado para o diagnóstico por imagem que permite acesso imediato, em qualquer setor de hospital ou clínica, das imagens médicas em formato digital. Pode ser dividido em quatro subsistemas: aquisição, exibição, disponibilização e armazenamento. O subsistema disponibilização compreende outro menor, porém, não menos importante, que trata da distribuição das imagens. Originalmente criados para utilização hospitalar interna, o PACS conectou-se ao ambiente externo por meio dos recursos da Internet.

Formas de aquisição
Apesar do acentuado incremento nas modalidades que permitem cortes seccionais e que em geral já produzem imagens digitalizadas — como Tomografia Computadorizada (TC), ultra-som (US) e Ressonância Magnética (RM) —, o uso de exames convencionais é predominante, fato que pode representar um obstáculo para o hospital implantar um PACS, ou mini PACS, devido ao custo de digitalização das imagens convencionais. Há duas formas básicas de digitalização dessas imagens. Uma é por meio de scanner da tela/filme convencional. Muitos aparelhos digitalizadores possibilitam a transição para um sistema de imagem digital sem grandes alterações na rotina dos serviços. Porém, não reduzem tempo ou trabalho e nem mesmo a super ou subexposição. A outra alternativa é a radiografia computadorizada, técnica em que as imagens digitais são diretamente produzidas em placa à base de fósforo (imaging plate). Posteriormente, podem ser visibilizadas em monitores ou convertidas em imagens analógicas por uma processadora a laser. As técnicas de radiografia computadorizada são compatíveis com a maioria dos sistemas de RX fixo e portátil, eliminando problemas de super e subexposição das imagens.

Disponibilização
Outra questão importante do PACS refere-se à disponibilização das imagens e dados. Em um PACS, o banco originário de dados e imagens deve transferí-las para a estação de visibilização. Nas primeiras técnicas de imagem feitas por computador — TC e RM, por exemplo —, a distribuição era irrelevante ou estava atrelada a soluções específicas, exclusivas do fabricante do equipamento. A disseminação de redes de computadores implicou a padronização de metodologia de transferência, que foi iniciada por um comitê coordenado pelo American College of Radiology (ACR) e pela National Eletrical Manufactures Association (Nema) em meados dos anos 70. Atualmente, a versão utilizada é a 3.0 do modelo ACR-Nema, mais conhecida como Dicom (Digital Imaging and Communication in Medicine).

Exibição
A principal característica de uma estação de imagens (workstations) é sua agilidade na recuperação de imagens, possibilitando uma navegação intuitiva no banco de dados e permitindo a comparação de dados relevantes relacionados ao exame. Possuem programas básicos de processamento de imagem como ajuste, brilho, contraste, zoom, inversão de escala de cinza, rotação, rolagem e inversão de imagens, possibilidade de reconstrução em 3D etc.

Banco de Dados
Finalmente, para constituir um PACS é necessário uma ou várias centrais de armazenamento, podendo ser realizado de duas formas: curto (short term) — que inclui a local (ou magnética) — e longo prazo (long term).

No arquivo local, as informações ficam no disco rígido (HD) do computador, por cerca de uma semana, podendo ser acessadas em menos de cinco segundos. Esse arquivo é utilizado tanto pelas estações de visibilização como pelos servidores do sistema. O armazenamento por longo prazo está relacionado a discos óticos não regraváveis, com 10 Gigabytes (GB) de capacidade (atualmente existem hds com até 60 GBs); discos ótico-magnéticos regraváveis, que permitem armazenar as informações por um período de tempo; arquivos em fita magnética, em CD-ROMS e em DVDs.

Embora o PACS seja opção preferencial em franca expansão, sua implantação é cara e complexa, exigindo planejamento organizado. Em geral, as propostas estão vinculadas a componentes comerciais desenvolvidos por determinadas empresas, associados às soluções desenvolvidas pela instituição local, sendo, muitas vezes, implantado de forma modular. Nesse caso, é recomendável iniciar a implantação do sistema pelo chamado mini-PACS, cuja capacidade pode ser aumentada de acordo com a disponibilização de recursos, adequando-se modularmente às necessidades da instituição.

*André Scatigno Neto, radiologista, secretário-geral da Sociedade Paulista de Radiologia e segundo-secretário do Cremesp.
*Omar Taha, radiologista, membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e diretor do site www.radiology.com.br